Clube dos Herdeiros - Fabiana Madruga


"- Eu achei que a gente fosse se resolver ou... sei lá... achei que isso fosse passar. Mas todos os dias, cada um deles... eu sinto falta dela. Quase todas as noites eu sonho que voltamos a nos falar. Quando acontece qualquer coisa, boa ou ruim, eu sinto aquele impulso de correr pra contar pra ela. Pra saber o que ela diria ou faria. Pra ouvir ela rir do que eu digo, implicar com o meu jeito... Eu sinto falta do cheiro dela. Da sensação de que vai ficar tudo bem quando ela está por perto. Eu nem sei por que eu tô dizendo tudo isso pra você. Mas é por isso que eu ando tão quieto. Porque isso tudo fica martelando aqui dentro. E nada faz sentido com a gente longe assim. Nada faz muito sentido sem ela." (p. 133)

Sabe uma das coisas mais bacanas que o Quem Lê me proporciona? Poder conhecer novos talentos nacionais e, principalmente, poder ajudar a divulgá-los. Mas sabe o que é melhor ainda? Quando eu vejo que estou de frente com alguém que tem talento de verdade, que escreveu um livro muito bom e que vai estourar mais cedo ou mais tarde. Aí sim eu sinto que todo o tempo que dedico ao blog vale a pena.

Estou falando de Fabiana Madruga e de seu Clube dos Herdeiros, um livro que nos convida a conhecer de perto a elite da sociedade carioca e a descobrir que nem tudo é como a gente imagina e que a vida desses jovens está bem longe de ser um conto de fadas.

Vamos conhecer Manuela Garcia Leal e Helena Piva de Albuquerque, que são melhores amigas desde sempre e herdeiras das mais tradicionais famílias cariocas. Elas são jovens, lindas e fazem sucesso absoluto por onde passam. Atraem flashs de paparazzis e posts em blogs de moda, e seus nomes estão sempre frequentando as colunas de fofocas de jornais e revistas. Mas não se engane: nem tudo é prefeito na vida dessas meninas, elas estão cercadas por mentiras, preconceitos, inveja, traição... mas conseguem disfarçar tudo isso com uma boa taça de champanhe.

Helena namora há seis anos com Guilherme Lunardelli, outro conceituado herdeiro e eles são considerados um casal perfeito (no melhor estilo Barbie e Ken), mas Manu é uma solteira convicta... se bem quem nem sempre esteja sozinha.

Mas a convicção de Manuela vai por água a baixo quando, em um show da Rihana, seus olhos cruzam com um jovem esquisitão enigmático, lendo James Joyce em um canto do camarote ao invés de curtir o show.

* * * * *

Eu sei o que vocês estão pensando, é impossível não comparar com Gossip Girl! Na verdade, como eu sou um pouquinho mais velha do que a maioria do pessoal da blogosfera, na hora pensei em The OC, a melhor de todas as melhores séries que já assisti. Todos viviam tranquilamente suas vidinhas aparentemente fúteis na Zona Sul do Rio/Orange County, tentando disfarças suas crises e problemas pessoais até que Pedro Bacelar/Ryan Atwood vindo da Tijuca/Chino chega para bagunçar e tirar todo mundo da sua zona de conforto, literalmente.

Aliás, Pedro (vulgo esquisitão do show da Rihana) se adequa perfeitamente ao papel de "estranho no paraíso", pois seus valores são completamente diferentes dos demais personagens e, quando ele se vê obrigado a viver entre eles, suas falas e ações vão fazer com quase todos revejam seus conceitos. Sem contar que é um personagem lindo de ler: bonito, bom moço, sempre de bom humor e disposto a ajudar todos a sua volta.

Mas não só o Pedro é um personagem cativante, pois quase todos são e vão te ganhando durante o livro. Até mesmo Helena, que no começo não me agradava em nada pois parecia ser uma metidinha, egoísta e mimada vai se transformando durante a história e se tornou a melhor personagem do livro. Aliás eu torci muito por ela, chorei muito com ela e devorei cada uma das páginas de CDH na ansiedade de saber como o que aconteceria no final,

O enredo é totalmente fofo, criativo e bem elaborado. Quando comecei a leitura foi bem no escuro mesmo, não sabia muito o que esperar porque a sinopse não revela muito da história (acreditem, eu revelei bem mais nessa resenha e olhem que não contei nem 10% da trama para não soltar spoilers!) e fui me surpreendendo com o rumo que as coisas tomaram. Juro que eu esperava algo completamente diferente e adorei tudo o que li. E quando terminou eu só conseguia pensar: "Como assim terminou? Cadê o resto? Eu preciso de CDH 2 agora!!!".

E sabem qual a principal razão para amarmos esse livro? A escrita da Fabiana Madruga, é simplesmente espetacular! Ela é ágil, envolvente, versátil... quase poética. Parecia que eu estava sentada com alguém que me contava a história, como em um papo entre amigas, entendem? Vejam só esse exemplo, que lindo:

"O lado bom da chuva no Rio, é que ela nunca fica por muito tempo. O sol tem um 
verdadeiro caso de amor com a cidade, e por mais que vez ou outra eles briguem, não 
conseguem ficar muito tempo separados. Logo o céu volta a ficar claro e o chão se 
seca junto com todas as lágrimas que possam ter caído como a temperatura. Qualquer 
chuva de novembro é curta, já que em pouco tempo começa o verão, que, para o Rio 
de Janeiro, é muito mais do que uma estação, é estado de espírito. Logo o céu e a vida
voltam ao normal. Antes mesmo do que você possa imaginar... "

Eu fiquei simplesmente apaixonada pelo livro, pelos personagens e pela escrita de Fabiana, e anotem aí: essa menina vai longe! Ainda vamos ouvir muito seu nome nos meios literários. Digo isso porque Clube dos Herdeiros ainda nem foi lançado (mas será em breve, pela Draco), mas imaginem quando todos vocês puderem ter essa preciosidade nas mãos? Recomendo a todos!

A Autora

Carioca, tricolor e fã de The Clash, Fabiana Madruga sempre foi uma leitora compulsiva e uma incurável escritora de gaveta. Em 2004, trocou as leis aprendidas na faculdade de Direito da PUC- Rio pelas letras, passando a ser colunista de jornais políticos. Em 2011 criou o site "Experimenta, amiga!", onde pretendia apenas trocar dicas de moda e beleza amigos, mas acabou levando por dois anos consecutivos prêmios na categoria. Em 2013 criou o Tumblr "Fabí em Gotas", onde passou a compartilhar contos e poesias. No mesmo ano escreveu seus dois primeiros romances: "Clube dos Herdeiros" e seu prólogo, "Aristocracia Perdida".

Avaliação (5/5)





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