Dom Casmurro - Machado de Assis


Hey peeps!

Mais uma vez o Desafio Literário 2011 me põe diante de um grande desafio, literalmente: como falar de Machado de Assis sem ser repetitiva? Como resenhar Dom Casmurro, um livro que já foi lido, relido, descrito em verso e prosa, virou filme, minissérie e peça de teatro e ainda sim conseguir inovar. Impossível! 

Acho que não tem uma criatura que goste de ler e que não conheça a história de Bentinho e Capitu. Jovens vizinhos, que cresceram juntos e se apaixonam na adolescência, mas que veem seu amor ameaçado pela promessa da mãe de Bentinho em fazer do filho um padre. Trágico, não? Imagine você, aos 15 anos, descobrindo o amor e tendo que renunciar a ele por uma promessa totalmente sem sentido. Agora se veja nessa situação no de 1857, tempo de costumes completamente diferentes dos nossos, em que se era absurdo enfrentar uma decisão de seus pais.

E vamos combinar? Bentinho é fraco, não consegue se impor, é impressionável. Para ele é mais fácil ter que ir para o seminário e fazer-se padre do que lutar contra sua mãe.
Por outro lado, temos a ardilosa Capitu. Inteligente, manipuladora e terrivelmente bela. Ela não está disposta a abrir mão de seu primeiro amor, e vai pensar em mil ardis para evitar que o pior aconteça.

Mesmo sendo avisado dos perigos que corria, que Capitu poderia ser "oblíqua e dissimulada", Bentinho se rende aos seus encantos.

"Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca."

Mesmo diante de tão grande amor, Bentinho vai para o seminário (não falei que ele era fraco?). Lá ele conhece Escobar, que vai se tornar seu melhor amigo. Em menos de um ano, ambos abandonam o seminário e vão para São Paulo estudar Direito. De volta ao Rio, Bentinho casa-se com Capitu, e Escobar com Sancha.
O filho demora a vir, mas quando vem, Bentinho não hesita em batizá-lo com o nome do melhor amigo. Conforme os anos vão passando, ele começa a perceber um estranha semelhança entre a criança e Escobar e desconfia da fidelidade de Capitu. Suas suspeitas pioram quando Escobar morre em um acidente no mar e Bentinho considera suspeitas as atitudes de sua esposa.

"A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...
As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. (...) Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem as palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã."

Bentinho passa então a ter certeza de que era traído. O filho parecia-lhe cada vez mais com o amigo morto e não havia como Capitu consegui fazê-lo mudar de ideia. Suas desconfianças acabam com seu casamento. Capitu vai viver na Europa com filho, onde morre ao fim de alguns anos. O filho falece algum tempo depois, misteriosamente no Egito. Bentinho passa a viver sozinho, tristonho, casmurro. Seu estilo de vida lhe rende um apelido, Dom Casmurro, que dá título ao livro.

A história não tem nada de novo. Infidelidade, ciúme, traição. 
O que nos surpreende é genialidade de Machado de Assis. A história é narrada em primeira pessoa, o que nos impede de tomar uma decisão: Capitu traiu ou não? Se quem nos conta é o próprio Bentinho, como saber se ele não estava levado pelo paixão? Cego de ciúmes? Como saber se Capitu era mesmo oblíqua e dissimulada? É essa dúvida que nos persegue pelo romance, e que provavelmente você vai terminar de ler sem chegar a nenhuma conclusão.

Um detalhe que eu amei no livro é com tudo gira em torno dos olhos de ressaca de Capitu. Foi olhando neles que Bentinho se viu apaixonado, foi por eles que se percebeu traído, e no fim da vida, era deles que realmente sentia falta.

Se você ainda não leu Dom Casmurro (#choquei), acredite, não sabe o que está perdendo. É um clássico maravilhoso de se ler, a escrita do Machado é uma delícia. Ele vai escrevendo como se falasse conosco, meu caro leitor, e nos enreda de tal forma que é difícil deixar o livro. Suas personagens são tão bem construídas, que quando vemos, estamos apaixonadas por elas. É satisfação garantida!
Recomendo!

Essa resenha faz parte do Desafio Literário 2011.


Outras resenhas do DL:


Janeiro: Literatura Infanto-Juvenil - Lendas e Fábulas do Brasil
Fevereiro: Biografias e/ou Memórias - De Moto pela América do Sul
Março: Obras Épicas - Pássaros Feridos
Abril: Ficção Científica - A Hospedeira
Maio: Livro-reportagem: O Livreiro de Cabul
Junho: Peças Teatrais: Cyrano de Bergerac
Julho: Novos Autores: Todas as Estrelas do Céu

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5 comentários :

  1. Machado é sempre uma leitura imperdível aos meus olhos de fanática machadiana...hehehe


    Bjs

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  2. Ei Nina!

    Eu tb adoro este livro!!! É um dos meus clássicos preferidos.
    Vc viu o seriado que a Globo fez inspirada no livro? Eu não vi, queria ter visto.

    Bjins

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  3. Nina, eu não li este inteiro ainda! Parei quando já estava acabando - não sei por quê - mas vou ter que resolver isto. o.Õ
    Ótima resenha. Machado de Assis é simplesmente genial.

    Beijos
    Conjunto da Obra

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  4. Olá, Nina!

    Que resenha sensacional, Nina! Você explorou todos os pontos que o meu professor de literatura explorou (e eu digo com toda a certeza que ele é um dos melhores!). Gostei também da análise sobre os olhos de Capitu, embora eu tenha uma certa impressão que a sua resenha tende para a sua conclusão acerca do livro (será que você tomou algum partido), o que não é nada ruim.
    Excelente! Machado de Assis, hoje, está mais contente onde quer que esteja. ;D

    Abraços!

    Ana Carolina Nonato
    Seis Milênios

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  5. Já li livros de Dom Casmurro. Aliás tenho que ler uma releitura desse livro pra escola. Esaa história de Bentinho e Capitu me deixa bem curiosa, por isso estou ansiosa pra ler.

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"Ler é comer e beber. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come."

Victor Hugo

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