Draco Saga, o Despertar - Fábio Guolo

"Imagine entrar em coma, acordar alguns anos depois e descobrir que sua sociedade e sua cultura estão sendo destruídas por uma praga que se propaga mais rápido do que é possível conter. A praga, porém, somos nós."


Há muito tempo não me surpreendia tanto com um livro como aconteceu com Draco Saga. Confesso que comecei a leitura meio empurrada e muito sem vontade, mas aos poucos, a história dos dragões foi me ganhando e, de repente, me vi em plena madrugada sem conseguir largar o livro. Sei que para muitos leitores compulsivos isso é normal, mas não para mim. Meu sono é sagrado, e para um livro me deixar acordada ele tem que ser no mínimo espetacular, e esse é mesmo o caso desse livro.
Com uma linguagem envolvente e descrições com um realismo ímpar, Fábio Guolo conseguiu me prender até a última página do livro e ainda me fez querer muito mais! Pelo menos mais umas 100 páginas. Ainda bem que tem continuação...

A história é narrada em primeira pessoa por Dryfr, um dragão dourado que vive em um mundo paralelo onde, inicialmente, não há humanos. Esse mundo é chamado de "multiverso" e é habitado por seres como elfos, duendes e anões, mas a raça suprema é a dos dragões. Seres infinitamente superiores, eles vivem em uma sociedade praticamente secreta, pois poucos conhecem seus hábitos e sua cultura, e, consequentemente, imaginam a dimensão de seus poderes. Os dragões vivem em perfeita sintonia com o universo, respeitando a natureza e a magia que comanda tudo, o mana. Isso faz deles seres superiores às demais espécies, fato que eles não se preocupam muito em disfarçar, na verdade eles até mesmo ostentam esta superioridade com certa arrogância.

Porém, os elfos tentam fazer uma magia para a qual eles não estavam preparados e acabam provocando o caos. Junto com o caos, eles trazem ao muliverso uma nova espécie, os humanos. Estes, rapidamente se espalham pelo novo planeta, saqueando, destruindo a natureza e desrespeitando limites considerados sagrados pelos dragões. Uma outra consequencia dessa magia, é o grande consumo de mana da região em que foi realizada, que provocou uma longa hibernação em Dryfr - 29 décadas! Quando ele acorda, encontra seu planeta devastado e sua espécie seriamente ameaçada.

Agora, Dryfr, seu mestre Wyrmygn e os outros dragões do Conselho dos Sábios deverão encontrar uma estratégia para se livrarem dessa praga e tentarem salvar seu planeta. Mentiras, segredos, traições, guerras, tudo isso fará parte do esquema armado pelos dragões para jogar os reinos humanos uns contra os outros e fazer com que eles se auto destruam.

No desenrolar da história, somos surpreendidos a todo momento vendo nossa raça apontada como a vilã, e eu sentia como se levasse um soco no estômago a cada descrição dos vícios e deturpações de nossa sociedade. Isso porque, mesmo se tratando de uma obra de ficção, nós sabemos que cada situação apresentada é verdadeira e que realmente comentemos esses erros.
Mas o melhor de tudo foi perceber que, mesmo considerando os humanos seres inferiores, Dryfr é "contaminado" com algumas características peculiares da espécie como a amor, a paixão e o prazer.
Ou seja, ao mesmo tempo que o livro nos alerta para nossos erros, também ressalta algumas qualidades.

Fábio Guolo é mestre em RPG e a influência do mesmo e de grandes autores como J.R.R. Tolkien e Bernard  Cornwell é nítida, principalmente no ambiente medieval fictício e na narrativa dinâmica. Ele conseguiu criar um universo novo, incrível, e que se sustenta perfeitamente sozinho. Dryfr é um personagem tão incrível e tão bem montado que em alguns momentos eu me esquecia que ele era um dragão, até que ele se referia à sua cauda, suas escamas ou levantasse voo.  E com a narrativa em primeira pessoa, temos a impressão de que ele está dialogando conosco e nos arrastando para dentro da história. É fantástico!

Em contrapartida, os acontecimentos do final são meio óbvios o que diminuiu um pouco minha empolgação com a leitura. Os nomes dos dragões são muito difíceis e muito parecidos (Dryfr, Drywt, Wyrmygn, Wkyf, Wyryn, Wlyn) e me confundiram um pouco, mas nada que não dê para resolver com uma consulta rápida ao índice de personagens que tem no final do livro, rsrs.

Enfim, o livro é recomendadíssimo! Principalmente para quem gosta de um bom épico recheado de aventuras, batalhas incríveis e algumas argumentações filosóficas.
Querem saber mais sobre o autor e sua obra? É só visitar o site Draco Saga.

Essa resenha faz parte do Book Tour do Selo Brasileiro.


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