Delírio - Lauren Oliver


OLIVER, Lauren. Delírio. Rio de Janeiro: Editora Intríseca, 2012. 336 p. Título original: Delirium.

"Às vezes, sinto-me como se houvesse duas de mim, uma exatamente acima da outra: a superficial, que assente quando deve assentir e diz o que deve dizer, e outra parte, mais profunda, a que se preocupa, sonha e diz 'cinza'. Na maioria das vezes, elas se movem em sincronia e mal percebo a distinção, mas, outras vezes, parece que sou duas pessoas completamente diferentes e que posso me desfazer em pedaços a qualquer instante." (p. 45)

A distopia é com certeza o gênero literário que está dominando o mercado. Desde o sucesso estrondoso de Jogos Vorazes que não para de aparecer lançamentos sobre o tema. Se estou reclamando? De forma alguma! Confesso que me tornei fã do estilo e, se pudesse, leria todos. E Delírio tem uma sacada que eu achei simplesmente genial, ele tem como tema central o amor, mas não de uma maneira positiva. Aqui o amor é visto como uma doença perigosa e deve ser banido da sociedade. Pessoas apaixonadas perdem a razão e fazem loucuras por amor e, muitas vezes, essas loucuras podem levar à morte, provocar guerras ou grandes tragédias.

Num futuro indefinido, os cientistas conseguiram identificar o que causa o amor e o chamaram de Amor deliria nervosa. Conseguiram também encontrar a cura, que é feita por meio de uma intervenção cirúrgica. Depois de curada, e pessoa fica totalmente livre do deliria, e pode ter uma vida normal, estudar, trabalhar e se casar com o par devidamente escolhido para ela por meio de uma avaliação, que identifica suas compatibilidades. Esse casal então poderá criar filhos para continuar a servir a sociedade.

Nunca mais paixão, arroubos, transtornos... nem por outra pessoa, ou um amigo, ou seus pais ou filhos. A vida estará segura.

Lena Haloway tem 17 anos e espera ansiosamente pelo dia da cura. Ela tem pavor de acabar como sua mãe, que sofreu a intervenção três vezes sem sucesso, e cometeu o suicídio quando estava prestes a ser submetida à cura pela quarta vez. Essa história é uma mancha no seu histórico, uma vergonha familiar. Ao contrário da mãe, Lena lamenta não poder receber a cura antes da maioridade, mas isso pode ser um risco pois ninguém pode prever os efeitos colaterais que a pessoa sofrerá por ser nova demais.

Sua melhor amiga Hana não pensa assim. Ela só quer se divertir, dançar e fazer tudo o que é proibido pelo governo, enquanto ainda pode e não está nada entusiasmada com o dia da avaliação.

Até que Lena conhece Alex, um rapaz que tem a marca da cura e que aparece casualmente em todos os lugares onde ela está. Lena não é proibida de falar com ele, como com os demais garotos, os curados não oferecem risco, mas ela sente algo estranho quando está com ele, um certo incômodo, um nervoso que ela não consegue entender.

Mas com a avaliação se aproximando, ela não precisa se preocupar com esse sentimentos. Logo receberá suas notas, saberá se poderá frequentar a faculdade e com quem será pareada. Lena estará curada, e com isso, seus problemas estarão resolvidos. Ela só não esperava se apaixonar antes disso.

"Então, estou entrando sorrateiramente na casa, subindo as escadas e entrando no quarto, e só quando estou deitada há um bom tempo, tremendo, sofrendo, já com saudade, percebo que minha tia, meus professores e os cientistas têm razão sobre o deliria. Enquanto estou deitada ali, com a dor penetrando o meu peito e a sensação ansiosa e doentia se agitando dentro de mim e um desejo tão forte por Alex que é como uma faca rasgando meus órgão e me dilacerando, tudo em que consigo pensar é: Isto vai me matar, isto vai me matar, isto vai me matar. E eu não me importo." (p. 187)

* * * *

Delírio foi um livro que conquistou já nas primeiras páginas (coisa bem comum de acontecer) e que conseguiu me prender e manter meu interesse até o fim (coisa rara ultimamente). Não teve um único momento em que eu me senti cansada da leitura, ou com vontade de fazer outra coisa. A narrativa de Lauren Oliver é incrível. Já tinha visto muito elogio pelos blogs mas não imaginava que fosse algo tão intenso, tão marcada pelos sentimentos e dúvidas da personagem.

Sei também que teve muita gente que gongou a Lena, achou ela chata e sem reação. Eu particularmente adorei a garota. Ficou bastante claro que cada uma de suas atitudes é reflexo da educação que ela recebeu e das experiências que viveu. A menina é fruto do meio onde vive e me parece improvável que, com marcas e traumas tão profundos, ela se levantasse contra o sistema com facilidade. Para ela a cura não era um impecílio e sim uma libertação. O momento onde toda a dor e frustração pelo que aconteceu a sua mãe seriam tirados dela, como um passe de mágica.

"É isso que Hana não entende, nunca entendeu. Para alguns de nós, não se trata só do deliria. Alguns de nós, os mais sortudos, terão a chance de renascer: mais novos, mais frescos, melhores. Curados, inteiros, perfeitos novamente, como uma chapa tosca de ferro que sai do fogo candente, brilhante, afiado." (p. 93)

E o Alex? Ele é totalmente fofo, apaixonante, lindo! E mesmo assim, Lena reluta a se entregar, a confiar nele. O garoto tem que rebolar para conseguir conquistar nossa heroína, e isso para mim também é um ponto positivo. Não gosto dessas histórias que o mocinho e a mocinha se apaixonam instantaneamente e juram amor eterno no primeiro olhar. Aqui não, Lena vai descobrindo aos poucos sua paixão por Alex e só aí que ela questiona seu futuro.

Perceberam que eu amei o livro né? E o final? É daqueles angustiantes e tensos, que deixam mil dúvidas para o segundo livro. Só espero que a continuação não demore muito a chegar, antes que eu morra de Amor deliria nervosa, rsrs.

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