A Menina Que Semeava – Lou Aronica

AROUNICA, Lou. A Menina que Semeava. Ribeirão Preto, SP: Editora Novo Conceito, 2013. 414 páginas. Título original: Blue.
Avaliação: (1 a 5) ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

“Ela o estava convidadando para a viajar junto para outro universo. Parecia ridículo se pensado desse moda, mas não havia uma parte dele que estava secretamente ansiando por esse convite desde o momento em que Becky mencionou suas viagens pra lá? Magia é apenas a ciência que nós ainda não entendemos. Chris não conseguia se lembrar de quem havia dito isso, mas ele sempre tinha considerado a possibilidade que descobertas extraordinárias – até mesmo mágicas – estavam ali por perto. Será que ele estava pronto para participar de uma?” (p. 262)

A Menina que Semeava é mais um título Sick-lit, gênero que traz personagens com graves doenças físicas ou psicológicas, e que tem como principais representantes “A Culpa é das Estrelas” e “As Vantagens de Ser Invisível”. Apesar de achar o termo meio pejorativo, acredito que estilo traz uma boa reflexão sobre a vida, sem ser muito melancólico, e por isso, estava bem ansiosa para ler o livro de Lou Aronica.

Chris Astor é um botânico bem sucedido que tenta lidar da melhor maneira possível com seu divórcio com Polly, mesmo que sua ex-mulher se torne cada dia mais irascível. Isso porque para ele, acima de qualquer problema que possa existir em seu casamento, está seu amor por sua filha Becky.

A garota está com 14 anos, mas aos 4 enfrentou um grave câncer que quase lhe tirou a vida. Nesse período, para ajudar a filha a enfrenter a doença, Chris começou a lhe contar histórias. Juntos, pai e filha criaram um mundo paralelo – o reino de Tamarisk – um lugar cheio de fantasias, histórias e personagens maravilhosos que parecem ter o poder milagroso da convalescença, já que as histórias ajudam muito na recuperação da menina. Mas depois do divórcio, Becky nunca mais quis ouvir sobre Tamarisk.

Dez anos depois, Becky volta a se sentir mal, mas tem medo de contar aos pais e ter que voltar a enfrentar o tratamento doloroso. Ao mesmo tempo, em Tamarisk, a rainha Miea vê uma praga misteriosa destruir seu reino sem tem a menor ideia do que se trata e de como vencê-la.

Mas misteriosamente, o destino vai colocar Becky e Miea frente a frente e juntas elas vão tentar salvar o reino de Tamarisk e a vida de Becky.

* * * * *

Infelizmente, tenho que admitir que esperava bem mais do livro. O enredo parece fascinante e o livro tem tudo para deslanchar e ser uma leitura prazerosa, mas não é isso que acontece. O autor se perde em meio a transição entre mundo real e mundo imaginário, a leitura foi quase uma tortura para mim.

Os personagens são fracos e previsíveis: a adolescente boazinha, o pai amoroso, a rainha dedicada, a mãe desvelada, a ex-mulher megera… e por aí vai. Ninguém com uma segunda faceta, ou com uma personalidade mais marcante. Nesse sentido, a gente já pode imaginar que não virão grandes surpresas na história.

Desde o começo fica clara a simbiose entre a saúde de Becky e a praga no reino de Tamarisk, a cura de um seria a cura do outro. Mas foram quase quatrocentas páginas até as personagens enfim se convencessem do óbvio. E nesse meio tempo, são várias descrições chatas e diálogos superficiais.

Então o livro só tem coisa ruim? Claro que não! O amor que Chris tem pela filha e sua dedicação cega e absoluta a ela é comovente. Ele não se importa de sacrificar seu casamento, seu trabalho e até mesmo sua sanidade para ver Becky feliz.

Outra coisa que me agradou bastante foi o autor mostrando o quanto a fantasia é importante na nossa vida e o quanto ela pode nos ajudar a enfrentar nossos problemas. Não com uma fuga, mas como um alívio, um ponto de esperança e conforto. Afinal, é isso que nós fazemos todos os dias, não é verdade? Buscamos refúgio e consolo nos livros e encontramos forças e inspiração para seguir em frente. É isso que Chris e Becky fazem a cada viagem à Tamarisk.

Contrapondo os pontos positivos e negativos, chego a conclusão que é um livro bom. A narrativa é enfadonha, mas o enredo é interessante. Também senti falta daquelas cenas emocionantes, tão características dos sick-lits, não chorei nenhuma vez… Mas a dedicação Chris e sua luta constante pelo amor da filha compensam um pouco a falta de lágrimas.

E vocês? Já viajaram para Tamarisk? O acharam?

B-jussssssssss! ♥
;-p

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