As Coisas que Fazemos por Amor - Kristin Hannah


HANNAH, Kristin. As Coisas que Fazemos por Amor. Tradução Cláudio Carina. São Paulo: Editora Arqueiro, 2017. 352 p. Título original: The things we do for love. Skoob.

Sinopse
“Caçula de três irmãs, Angela DeSaria já tinha traçado sua vida desde pequena: escola, faculdade, casamento, maternidade. Porém, depois de anos tentando engravidar, o relacionamento com o marido não resistiu, soterrado pelo peso dos sonhos não realizados.
Após o divórcio, Angie volta a morar na sua cidade natal e retorna ao seio da família carinhosa e meio doida. Em West End, onde a vida vai e vem ao sabor das marés, ela conhece a garota que mudará a sua vida para sempre.
Lauren Ribido é uma adolescente estudiosa, bem-educada e trabalhadora. Apesar de morar em uma das áreas mais decadentes da cidade com a mãe alcoólatra e negligente, a menina sonha cursar uma boa faculdade e ter um futuro melhor.
Desde o primeiro momento, Angie enxerga em Lauren algo especial e, rapidamente, uma forte conexão se forma: uma mulher que deseja um filho, uma menina que anseia pelo amor materno. Porém, nada poderia preparar as duas para a repercussão do relacionamento delas. Numa reviravolta dramática, Angie e Lauren serão testadas de forma extrema e, juntas, embarcarão em uma jornada tocante em busca do verdadeiro significado de família.”

Kristin Hannah é rainha! Isso é tudo o que sou capaz dizer sobre essa autora maravilhosa! Ela consegue pegar um enredo que parece super simples e transformar em algo arrebatador e único, algo que vai marcar você e te fazer lembrar dos personagens por muito tempo. Isso sempre acontece comigo quando leio Kristin Hannah, no final entro naquela ressaca literária profunda, achando que nada do que ler depois vai superar a emoção sentida.

Há muito tempo eu não me identificava tanto com um personagem como foi com Angie, e é bem simples entender porque: temos os mesmo problemas. Eu sei exatamente o que é sonhar com um bebê e continuar com o ventre vazio enquanto todos à sua volta parecem ter filhos com uma facilidade impressionante. Sei o que é ver as pessoas evitando falar de crianças e maternidade perto de você porque acham que vão te magoar ou ofender. Sei o que é ficar feliz pela gravidez de uma amiga e ao mesmo tempo sentir o peito quebrar de inveja. Conheço a dor dos tratamentos, os hormônios, as injeções, a perca... E o pior, conheço a dor de um exame negativo e de um aborto espontâneo. Então imaginem o quanto chorei lendo.

“ - Você tem tanto amor para dar… - disse Mira afinal. - Deve ser doloroso oprimir isso o tempo todo.”

Aos poucos, como já aconteceu comigo, Angie foi amadurecendo e entendendo que tem coisas que simplesmente não vão acontecer, por mais que a gente as deseje. Então o melhor é saber lidar com a dor e seguir em frente, pena que ela esperou perder tanto para entender. A sua fixação por um bebê é tão grande que ela negligencia o marido, deixando o divórcio como a única opção para os dois. Sem a companhia de Conlan, ela volta para a pequena cidade onde cresceu, para ajudar a mãe e as irmãs a salvarem da falência o restaurante da família. É lá que ela conhece Lauren.

“Não sabia bem quando aquele amor começara a ser insuficiente,quando ela começara a julgar a vida pelo que lhe faltava, mas ali estava o resultado. Era irônico, na verdade: o amor os pusera em busca de um filho e essa mesma busca acabara dilapidando a capacidade de se amarem.”

Lauren só tem 17 anos mas conhece melhor do que ninguém a dor do abandono. A mãe, negligente e alcoólatra, nunca se preocupou muito com ela e só sabe repetir que ficar grávida da menina arruinou sua vida. Com a mãe sempre bêbada, a garota trabalha desde os 12 anos para tentar pagar o aluguel e comer. Esforçada e excelente aluna, ela conseguiu bolsa em um colégio particular, lá ela conheceu David, o garoto popular e atleta, e os dois já namoram há anos. Agora, prestes a terminar a escola, Lauren se esforça para conseguir uma bolsa integral em uma universidade, sua única chance de prosseguir os estudos.

Numa noite de tempestade, o caminho das duas se cruza e uma grande amizade vai surgir. Logo ela percebem que o que falta nas duas é a mesma coisa. Angie sonha com um filho enquanto tudo o que Lauren quer é o amor de uma mãe. Mas uma reviravolta vai testar a amizade das duas e colocar seus sentimentos em xeque.

“Lá estava o cerne da questão, o que a incomodava. Fazia tanto tempo que era solitária, e agora - de forma irracional - sentia que era parte de um lugar. Mesmo que isso não fosse de todo verdade - e não devia mesmo ser -, com certeza era melhor do que o vazio de sua dura realidade.”

Sei que já comecei a resenha falando isso, mas Kristin Hannah é rainha! Quando comecei a leitura, eu já sabia exatamente o que iria acontecer e não me enganei, o desfecho da história é até bastante óbvio. Mas a maneira delicada e profunda com que Kristin descreve seus personagens faz com que o óbvio fique surpreendente. Ela narra cada nuance dos sentimentos deles com tanta empatia e ternura que eu sentia qualquer traço de dor deles em mim. Por outro lado, fica evidente que todos os personagens já sabiam como tudo iria terminar, mas havia tanto amor entre eles que não havia como evitar.

A única coisa que me fez falta foi um final melhor elaborado. A sensação que me deu é que a carga de emoção até ali já tinha sido tão grande que Kristin Hannah quis nos poupar de mais uma cena grandiosa que nos faria chorar litros. Mas eu estava tão preparada para ela, esperei tanto pelo final épico, que me decepcionei um pouco com a simplicidade do final. Poderia ter pelo menos um epílogo que se passasse alguns anos depois, queria saber mais como ficou a vida de todos.

Para mim com certeza essa foi uma das leituras mais emocionantes do ano. Mas é preciso ressaltar que a história de Angie e Lauren me tocou tanto por questões muito pessoais e que talvez outros leitores não reajam como eu. Mas tenho certeza de que ileso ninguém sairá, por isso, só posso pedir que leiam!

A Autora

Kristin Hannah é autora de mais de 20 livros, que foram traduzidos para 39 idiomas e venderam 15 milhões de exemplares pelo mundo. Ela largou a advocacia para se dedicar à sua grande paixão: escrever. No Brasil, pela Novo Conceito, já publicou Jardim de inverno, Por toda a eternidade e O lago místico e, pela Editora Arqueiro, O Rouxinol, As cores da vida, O caminho para casa, Amigas para sempre e Quando você voltar - os dois últimos chegaram a liderar ao mesmo tempo cinco listas demais vendidos do The New York Times.
As coisas que fazemos por amor está sendo adaptado para o cinema, com Abigail Breslin (de Pequena Miss Sunshine) cotada para o papel de Lauren Ribido. Outras duas obras também estão a caminho das telonas: O Rouxinol (dirigida por Michelle MacLaren, de Game of Thrones) e Quando você voltar (com direção de Chris Columbus, de Harry Potter e a Pedra Filosofal e O homem bicentenário).

Avaliação (5/5) 💗






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