Teia Virtual - Carlos Eduardo R. Bonito



"Procuro ser sempre justo, pois a justiça, como falam, não é cega? Sim, amigos, para mim é cega até certo ponto” (p. 73)

O promotor de justiça Alexandre sempre acreditou que os réus que ele acusavam eram 100% culpados. Para ele não havia dúvidas ou oscilações, eram assassinos e mereciam a pena a que tinham sido condenados. Mas com a ajuda de Helena, uma jornalista investigativa que tinha sido sua paixão na faculdade, e de Beth, uma advogada, ele começa a perceber que nem tudo é tão simples assim.
Através delas, Alexandre percebe que nos últimos casos que ele trabalhou os réus sempre acusavam um misterioso amigo virtual, que os teria manipulado e convencido a cometer os crimes. Esse amigo, que todos conhecerem em um chat na internet, rapidamente se tornou confidente e cúmplice e conseguiu influenciar os réus a dar uma lição em seus "desafetos". Ele cria planos mirabolantes e os fazem acreditar que outras pessoas são culpadas pelos seus fracassos.

Incrivelmente abusado, o criminoso entra em contato com Alexandre por meio de e-mail assinando como Anjo Negro, diz que na verdade ele é um vingador e que está ajudando suas vítimas a livrar de injustiças que ele conhece como ninguém, pois as viveu na pele. Assim, Alexandre, Helena e Beth partem numa caçada alucinante, tentando prever os passos do assassino e ajudar suas vítimas.

O livro é bem interessante e a ideia é boa, apesar de não ser inovadora. O vilão é ótimo e é por ele que eu consegui ler o livro todo. Ele é cruel, violento e completamente louco. Mas os protagonistas são um tédio! Alexandre é um chato moralista que se acredita dono da verdade, vive se lamentado pela morte do pai mas é incapaz de ajudar seu irmão mais novo. Beth e Helena são pouco exploradas pelo autor e parecem meio bobas e infantis.

A narrativa também é um problema sério para o livro. Ele começa em primeira pessoa com Alexandre e as vítimas narrando, depois entra o criminoso e, de repente, a narração está em terceira pessoa. A troca de personagens narrando a história é um recurso interessante e muito usado por vários autores consagrados, mas se não usado com cuidado pode gerar confusão.

Apesar desses detalhes (que não são tão detalhes assim) que depõem contra o livro, ainda acredito que valha a pena ler. Um leitor que não seja tão exigente, ou chato, como eu, com certeza vai gostar. Ainda mais que ele trata de um tema de extrema importância nos dias atuais: o cuidado na internet. Eu sempre digo para meus alunos que internet é terra de ninguém, a gente nunca sabe se quem está do outro lado é realmente quem diz ser. Portanto, todo cuidado é pouco!

Essa resenha faz parte do Book Tour do Selo Brasileiro.


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