Liberta-me - Tahereh Mafi

MAFI, Tahereh. Liberta-me. Ribeirão Preto, SP: Editora Novo Conceito, 2013. 444 páginas. (Trilogia Estilhaça-me v.2). Título original: Unravel me.

Avaliação (1 a 5) ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

"Nos dias mais escuros, você tem de procurar um pouco de luz; nos dias mais frios, você tem de procurar um ponto de calor; nos dias mais desoladores, você tem de manter os olhos para frente e para cima e, nos dias mais tristes, você tem de deixá-los abertos para permitir que chorem. Para então permitir que sequem. Para dar a eles a chance de lavar a dor, para verem com frescor e clareza mais uma vez." (p. 317)

Desde que li Estilhaça-me (resenha aqui), primeiro livro da trilogia de Tahereh Mafi, estava ansiosa para ler Liberta-me. O primeiro livro foi maravilhoso e uma das minhas melhores leituras de 2012 e por isso criei muitas expectativas pela continuação. Acho que foi esse meu erro, por esperar demais de Liberta-me, acabei me decepcionando muito. Não que eu não tenha gostado do livro, não é isso, mas eu imaginava algo maior e melhor, como sei que a autora é capaz de produzir.

 Contém spoilers se você ainda não leu Estilhaça-me!

Juliette e Adam, ajudados por Kenji, conseguiram fugir do quartel onde estavam presos e agora estão seguros e abrigados no Ponto Ômega, uma organização liderada por Castle que ajuda pessoas como Juliette, que possuem um dom especial. Lá eles são treinados e estudados, para que conheçam e entendam melhor seus dons e talvez possam ajudar Castle na luta contra o Restabelecimento.

Juliette enfim se vê entre iguais. Ela está cercada por pessoas que também podem fazer coisas espantosas, não tanto quanto ela que pode matar com um toque, mas todos tem um dom. Ela conhece Sara e Sonia, as gêmeas capazes de curar. Winston que tem uma inteligência fora do comum e criou um traje especial para que ela possa treinar sem machucar ninguém. Brendon que é um verdadeiro homem elástico. Descobre que Kenji pode ficar invisível e Castle é capaz de mover coisas com a mente.

Mas ainda assim Juliette não se sente confortável lá e não consegue se aproximar de ninguém. Ela sente que todos a temem e a olham com incertezas. A única pessoa em quem ela confia é Adam, mas ele está cada vez mais distante, envolvido com uma série de testes para entender porque ele pode tocar em Juliette. Mas o vilão Warner também pode, e ela guarda esse segredo sem entender muito bem porque. Apesar de finalmente estar livre, ela não consegue parar de pensar em Warner e naquele beijo que ele roubou no dia em que ela fugiu.

Com a ajuda de Castle e Kenji, Juliette vai começar a se preparar para a guerra iminente e vai descobrir que seu poder é muito maior do que ela imagina. Só falta ela decidir-se de que lado quer ficar nessa guerra.

* * * * *

Fiquei quase um ano esperando para ler a continuação de Estilhaça-me e tinha tanta certeza de que iria amar!!! Mas infelizmente tenho que admitir que o livro não foi nem metade do eu esperava...

Praticamente não há ação na história, a guerra está sempre pairando sobre a cabeça dos personagens, mas não acontece nunca. As poucas cenas de ação são tão curtas que quando a gente começa a aproveitar ela já acabou. 

Os novos personagens também não me agradaram, eu os achei tão rasos e sem convicção. Talvez seja o mal de livro com narrativa em primeira pessoa, mas mesmo assim, eu gostaria muito de ter sabido um pouco mais sobre a trupi de Castle. Já os personagens que eu já conhecia, e que tinha amado tanto, parece que desapareceram. Adam está totalmente insosso e com uma atitudes muito sem noção, nem parece o mesmo. E James nem aparece no livro direito, acho que só em dois ou três capítulos.

Tá, se não tem ação e os personagens sumiram, o que é que sobra? Lamentação! Isso mesmo, peeps, o livro é uma série sem fim de lamentações de Juliette, que se transformou em uma drama queen de mão cheia. É o tempo todo chorando pelos cantos: "ninguém me ama, ninguém pode me tocar, todo mundo tem medo de mim, eu sou uma aberração, blá blá blá". Tudo bem, eu entendo muito todos os traumas da personagem, sei que ela sofreu muito, mas agora está livre e ao invés de aproveitar e tentar conhecer pessoas e fazer amigos, ele se fecha em copas e fica em um chororô sem fim! E por isso eu vibrava cada vez que o Kenji dava um chega para lá nela:

"- Até onde vejo, você tem comida no estômago e roupas no corpo e um lugar para fazer xixi em paz quando der vontade. Não são problemas. Isso é viver com um rei. E eu gostaria muito se você crescesse e parasse de andar por aí com se o  mundo tivesse cagado em seu único rolo de papel higiênico. Porque é idiota - ele completa, mas controlando o humor. - É idiota e ingrato. Você não faz ideia do que o restante do mundo está vivendo agora. Você não faz ideia, Juliette. E não parece ligar nem um pouco também." (p. 145)

Em meio a tudo isso, o que salva é Warner. O personagem ainda é o melhor do livro e a gente consegue entender ele bem melhor depois da leitura. Mas ainda não acho que a personalidade dele justifique o triângulo amoroso.

E eu não posso deixar de falar da narrativa maravilhosa de Tahereh Mafi. Mesmo em meio às lamentações sem fim de Juliette, tem as metáforas profundas cheias de significados, que tornam a leitura uma delícia. Ela escreve tão bem, que apesar de estar querendo esganar a mocinha, eu não conseguia largar o livro, tão enlevada que estava. 

Ainda acho que Mafi errou muito no ponto desse livro, entendo que o segundo volume de uma trilogia geralmente é o mais chatinha, por se tratar de uma fase de transição e crescimento dos personagens. O problema é que ela deixou para fazer com a Juliette crescesse nas últimas dez páginas do livro e até lá é um mimimi infinito.

É uma leitura divertida mas não é inesquecível, e nada comparada a Estilhaça-me. 

Trilogia Estilhaça-me
  1. Estilhaça-me
  2. Liberta-me
  3. Ainda sem título definido


B-jusssss! ♥
;-p


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