A Casa do Céu - Amanda Lindhout & Sara Corbett


LINDHOUT, Amanda. CORBETT, Sara. A Casa do Céu. Tradução: Ivar Panazzolo Junior. Ribeirão Preto, SP: Editora Novo Conceito, 2013. 445 páginas. Título original: A house in the sky.

Sinopse
Quando criança, Amanda escapava de um lar violento folheando as páginas da revista National Geographic e imaginando-se em lugares exóticos. Aos dezenove anos, trabalhando como garçonete, ela começou a economizar o dinheiro das gorjetas para viajar pelo mundo. Na tentativa de compreendê-lo e dar sentido à vida, viajou como mochileira pela América Latina, Laos, Bangladesh e Índia. Encorajada por suas experiências, acabou indo também ao Sudão, Síria e Paquistão. Em países castigados pela guerra, como o Afeganistão e o Iraque, ela iniciou uma carreira como repórter de televisão. Até que, em agosto de 2008, viajou para a Somália — “o país mais perigoso do mundo”. No quarto dia, ela foi sequestrada por um grupo de homens mascarados em uma estrada de terra.
Mantida em cativeiro por 460 dias, Amanda converteu-se ao islamismo como tática de sobrevivência, recebeu “lições sobre como ser uma boa esposa” e se arriscou em uma fuga audaciosa. Ocupando uma série de casas abandonadas no meio do deserto, ela sobreviveu através de suas lembranças, arquitetando estratégias, criando forças e esperança. Nos momentos de maior desespero, ela visitava uma casa no céu, muito acima da mulher aprisionada com correntes, no escuro e que sofria com as torturas que lhe eram impostas.

Quando recebi esse livro da Novo Conceito, o coloquei bem no final da fila porque tinha a sensação de que não iria gostar: é uma biografia (estilo literário que eu particularmente não gosto) e ainda fala sobre violência contra mulher, tema que me incomoda muito. Me revolta demais histórias em que mulheres são abusadas pelos simples fato de serem mulheres. Serem julgadas e condenadas como inferiores por homens que, em geral, são desprovidos de qualquer noção de valor ou ética.

Mas, o recente sequestro das estudantes nigerianas por um grupo fundamentalista islâmico me comoveu muitos e as semelhanças entre o caso das jovens com o de Amanda Lindhout me fez ter muita vontade de ler o livro, mesmo imaginando que seria uma narrativa cansativa e sem muitos diálogos. Porém, devo ressaltar que me enganei redondamente!

A narrativa é mesmo bem forte, e em vários momentos eu me vi angustiada e revoltada pela violência e constantes humilhações às quais Amanda era submetida, mas as descrições claras, diretas e muito objetivas conseguiram prender minha atenção, mesmo sofrendo demais com tudo aquilo. Somos transportados para um universo completamente novo e diferente do nosso, onde atitudes cruéis são justificadas pela religião e pela fé em um Deus que com certeza reprova todas elas!

Na visão dos sequestradores, a unica função da mulher é cuidar do seu homem e de sua família, e para tentar se proteger um pouco da violência, Amanda e Nigel (seu ex-namorado e companheiro no sequestro) se convertem ao islamismo e estudam o Corão, na esperança de conquistar a simpatia dos "garotos". Eles chamavam seus sequestradores assim porque eram todos muito jovens, contratados para tomarem conta de deles e que só estavam ali pelo dinheiro; não que isso os transforme em menos culpados, apenas nos mostra o quão caótica e miserável é a situação do povo daquele país.

E aí você pensa: "Depois de tudo isso, ela nunca mais vai querer voltar lá". E é aí que a gente se engana e aprende uma grande lição. Amanda não só voltou à Somália como fundou uma ONG, a Global Enrichment Foundation, para levar educação às mulheres somalianas e quenianas, tentando assim combater o terrorismo nesses países.


A Casa do Céu não é uma leitura fácil, mas é com certeza muito impactante, pois é impossível você se manter o mesmo depois de conhecer a história de sobrevivência de Amanda frente aos mais tristes e sofríveis dias de sua vida. É uma história bela e marcante pois conhecemos o pior que um ser humano pode suportar, e ainda assim, mantendo viva a chama da esperança, da fé, do perdão, da vontade de viver e ser livre e da própria sanidade. De forma geral, essa é uma leitura inesquecível, que vai do que há de mais belo ao mais feio e triste no mundo, e que não pode ser ignorada.

Em setembro do ano passado, Amanda contou sua história em uma entrevista à revista Época que vale a pena ler (clique aqui), e se você quiser saber mais sobre o sequestro das jovens nigerianas ou somente tirar suas dúvidas sobre o caso, o G1 publicou uma matéria da BBC com algumas respostas às perguntas mais frequentes sobre o caso e que nos ajudam a entender a complexidade do episódio (leia aqui).

Aliás,está rolando uma mobilização na net pela libertação das meninas nigerianas e vários nomes famosos como Michelle Obama, Madonna, Alicia Keys, Cara Delevingne e Ellen Degeneres tem postado fotos com a hashtag #BringBackOurGirl em suas redes sociais como forma de apoio. Inclusive, Anne Hathaway pegou um megafone e foi às ruas de Los Angeles protestar, ao lado de um grupo de pessoas e do marido Adam Schulman. 



E eu,é claro, não ficaria de fora dessa campanha!


As Autoras:

Amanda Lindhout é fundadora da Global Enrichment Foundation (Fundação para o Enriquecimento Global), uma organização sem fins lucrativos que apoia iniciativas para o desenvolvimento, ajuda humanitária e educação na Somália e no Quênia.


Sara Corbett é colaboradora do The New York Times Magazine. Seus trabalhos também apareceram em publicações como National Geographic, Elle, Outside, O (The Oprah Magazine), Esquire e Mother Jones.


Avaliação (4/5)





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8 comentários :

  1. Que incrível, também o coloquei no fim das leituras devido ao gênero, mas depois disso tudo preciso lê-lo, parece impactante mesmo. Sem falar que essa capa é linda, né? Parabéns pelo post, mudou totalmente minha visão, rs.

    http://www.ohmydogestolcombigods.com/

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  2. Oi Nina!
    Eu estava adiando a leitura, porque eu achei que seria meio entediante. Mas eu gosto desse estilo, aprendo muito com ele, apesar de nos deixar indignadas, não é?
    Pretendo pegar ele para ler o quanto antes ^^
    O blog está lindo!
    Bjus
    http://leiturasdokokoro2.blogspot.com.br/

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  3. Achei a estória surpreendente. A personagem é diferente de tudo que já vi. Não vejo a hora de poder ler este livro e saber mais sobre a vida desta personagem. Beijos.

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  4. Este livro é bastante impressionante e curioso. Gostei mto!

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  5. Eu sabia que era uma historia forte, tinha lido algo a respeito, mas não imaginava que era real, que Amanda tivesse passado por tanta coisa ruim, e mesmo sabendo ser uma historia forte, impactante e até repulsiva, tenho uma grande vontade ler esse livro e saber o desfecho desse sequestro, adorei sua resenha e foi ela que me deixou mais ansiosa por essa leitura! :)

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  6. Bem legal depois de ler esta resenha preciso lê-lo,me pareceu muito interessante imaginava que era uma historia forte, adorei sua resenha parabens.

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  7. Carolina Fernandes7 de outubro de 2014 19:36

    Quando comprei também deixei ele de lado e li outros livros, mas a curiosidade me fez ler rsrs, achei a leitura um pouco cansativa, não sei se era os fatos q aconteciam, mas me fascinei pela coragem q Amanda teve, desde o primeiro momento qdo vai viajar pela primeira vez, tenho esse sonho tbm de conhecer o mundo porém nunca irei na Somália.Quero ler agora o de Nigel , sua visão sobre os acontecidos. bjsooo

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  8. Ontem li o livro de uma tacada só. Precisei interromper essa incrível leitura pois estava me sentindo sufocada e revoltada a cada capítulo. Penso que já faz parte do seu ser Amanda nao desistir e ainda ser corajosa para voltar à Somália após fundar a sua ong. Toda a admiração é pouca- não subsistiria a
    uns dias no cativeiro-e é extensiva à família que se uniu, embora desde muito cedo seu lar tenha sido muito conturbado . Conclui que sou muito pequena e covarde diante de menos, muito menos sofrimento...

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