Um Lugar no Coração - Amy Hatvany

HATVANY, Amy. Um Lugar no Coração. Tradução: Vera Limongi. Campinas, SP: Editora Verus, 2015. 364 páginas. Skoob.

Sinopse:
“Grace nunca quis ser mãe. Mas, quando ela conhece Victor, um homem bonito, carismático, separado e pai dos adolescentes Max e Ava, decide que pode aprender a ser uma ótima madrasta. Afinal, as crianças moram com a mãe, Kelli. Não pode ser tão difícil assim, certo?
Aos treze anos, Ava é bastante madura para a idade. Desde o divórcio de seus pais, ela cuida da mãe emocionalmente instável e do irmão mais novo. E, apesar de não ter nada contra a namorada de seu pai, Ava ainda tem esperança de que os pais voltem a ficar juntos e sejam novamente uma família. Mas, poucos dias depois de Victor e Grace ficarem noivos, Kelli morre em circunstâncias misteriosas — e segredos assombrosos de sua vida são revelados.
Narrado por Grace e Ava no presente, com flashbacks do passado conturbado de Kelli, Um lugar no coração é um retrato comovente e apaixonante de feminilidade, amor e dos desafios e alegrias da vida em família.”
Um Lugar no Coração me chamou a atenção por ser um drama que fala de família, de relacionamento e, principalmente, de maternidade. Achei muito interessante a história ter uma mulher que não quer ter filhos, pois, por mais que o feminismo tenha conquistado direito e posições para a mulher, a sociedade ainda age com estranheza quando uma simplesmente se recusa a fazer o que é esperado para ela.

Grace tomou a decisão de não ser mãe ainda cedo, quando precisou ajudar a criar o irmão 15 anos mais novo que ela, mas isso não significa que ela seja uma pessoa fria e sem coração, tanto que ela trabalha em uma ONG que ajuda mulheres que enfrentam a violência doméstica. Ela só não sonha em ser mãe. E por isso a morte de Kelli, ex-mulher de seu noivo Victor, abala tanto sua vida pois ela se vê responsável por duas crianças que estão enfrentando o pior momento de suas vidas.

Ava tem treze anos e já tem as responsabilidades de um adulto, cuidando do irmãozinho Max e mãe depressiva Kelli, mas mesmo assim, ela adora a mãe, e a tragédia de sua morte não vai ser fácil de enfrentar. Principalmente porque ela se vê obrigada a viver com Grace, a detestável namorada do pai.

Por mais que esse enredo nos pareça batido e clichê, ler sobre família e crianças sempre me prende, ainda mais quando a história vem contada com uma linguagem tão doce e cuidadosa como a de Amy Hatvany. Ela escreve de uma maneira tão comovente que é impossível não se sentir tocado pelo drama dessa família e não querer ser capaz de consolar as crianças ou amparar Grace e Victor. O sofrimento descrito por ela é quase palpável e confesso que chorei várias vezes.

Os personagens são bem construídos e tem várias facetas. Mesmo porque, ninguém é muito normal quando enfrenta o luto. As reações são exaltadas e imprevisíveis, principalmente das crianças. Mas mesmo quando elas estão no auge de um ataque de fúria, fica claro que tudo aquilo só está acontecendo em decorrência da tragédia.

Dentre as personagens, duas merecem destaque: Kelli e Ava. Kelli tem seu passado revelado durante a trama, em capítulos narrados em terceira pessoa que aparecem no livro, e a curiosidade em entender o que provocou sua doença e morte instigam a leitura. Ava, que além de enfrentar todos os hormônios e incertezas da adolescência, ainda precisa crescer antes do tempo e enfrentar a perda da mãe. É tocante ler sobre o relacionamento de mãe e filha e saber que vai terminar tão cedo.

Mas, como nem tudo são flores, algumas coisas me incomodaram no livro. Victor, por ser um personagem tão importante aparece pouco na história e eu senti falta de entender melhor o lado dele da história. Além disso, o final tem o pior dos defeitos que um livro poderia ter na minha opinião: tudo se resolve em dez páginas. Por trezentas e cinquenta páginas acompanhamos uma narrativa lenta e sem sobressaltos e de repente, o enredo entra numa velocidade vertiginosa e a história acaba, assim meio do nada. Eu entendi a maneira como as coisas se resolveram, mas como isso foi possível tão rápido? Isso fez com a história perdesse vários pontos comigo.

Mas mesmo assim eu recomendo esse livro para quem gosta de um drama comovente e belo, carregado de emoções e de sentimentos que vão marcar seu coração.

A Autora

Amy Hatvany se formou em sociologia apenas para descobrir que a maioria dos sociólogos está desempregada. Logo começou a atuar numa variedade de trabalhos - alguns ela adorava, como decorar bolos de casamento, e outros que apenas tolerava, como ser recepcionista.
Em 1988, Amy finalmente decidiu vender seu carro, pedir demissão e arriscar em sua verdadeira paixão: escrever. Seus conhecimentos em sociologia inspiram e permeiam muito sua escrita, conforme ela aborda assuntos controversos e atuais, como alcoolismo, doenças mentais e violência doméstica.
Amy é autora de seis romances de sucesso. Ela vive em Seatle, nos Estados Unidos, com o marido e os filhos.
Para conhecer melhor o trabalho da autora, acesse: www.amyhatvany.com

Avaliação (3\5)





B-jusssssss! ♥
;-p

5 comentários:

  1. Fiquei muito em dúvida sobre solicitar esse livro, porque realmente gostei da trama, mas outros acabaram me conquistando, e agora estou arrependida! hahaha Mas se tiver oportunidade lerei!
    beijos

    www.apenasumvicio.com

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  2. Adorei a resenha, pois você colocou todos os pontos fortes e fracos do livro. Apesar de não ser meu tipo de leitura, fiquei curiosa para saber sobre a personagem Kelli, agora vou decidir se quero ler ou não. Bjs

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  3. Tatiana Petraccone7 de março de 2015 10:40

    Oi Nina!
    Adorei sua resenha, você soube levantar os pontos positivos e negativos que encontrou na leitura, e ainda nos deixar com vontade de ler.
    Não conhecia a hist e nem a autora, quem sabe eu não leia em breve, adoro histórias sobre tramas familiares.

    Beijos

    http://paraisodasideas.blogspot.com.br/

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  4. Oi Nina!

    Nossa, que resenha boa de ler!! Mas, acho que eu ficaria chateada com o livro porque odeio livros que se resolvem de um capitulo para o outro e tudo fica OK, sabe?

    Só que, tirando isso, acho que pode ser um livro bem interessante, eu não conhecia a história, mas acabei gostando só por causa da sua resenha!

    Beijos

    http://lumartinho.blogspot.com.br/

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  5. Olha eu sinceramente estou com muito interesse de ler esse livro, porque tenho visto ótimas resenhas e não dúvida nada que a história seja maravilhosa. Eu gostei bastante de tudo que você falou em sua resenha, até porque me deixou ainda mais curiosa, mas agora estou pobre pra comprar livro até porque o meu foco atual é comprar um celular novo, e por isso, vou ter que me segurar um pouco mais, até porque celular vale mais a pena =x hahahaha...Mas enfim...gostei de tudo que você escreveu. Beijinhos linda

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/03/tag-7-coisas.html

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