A Rebelde do Deserto - Alwyn Hamilton


HAMILTON, Alwyn. A Rebelde do Deserto. Tradução Eric Novello. São Paulo: Editora Seguinte, 2016. 288 p. (A Rebelde do Deserto v.1). Título original: Rebel of the sands. Skoob.

Sinopse
“O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher.
Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele.
Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.”

Fantasia é um estilo literário do qual nunca me canso. Tenho amigos leitores que comentam que andam meio saturados do tema, que tem se tornado meio repetitivo e mais do mesmo. Mas o estilo sempre me encanta, amo ler sobre algo que é completamente diferente do meu dia a dia e que ainda assim tenha uma relação com o mundo real. E melhor ainda é quando se trata de um livro que vem sendo muito elogiado. Assim, foi cheia de expectativas que iniciei a leitura de A Rebelde do Deserto, e acabei me apaixonando pelo que encontrei.

O deserto de Miraji é um lugar impiedoso para se viver. Governado por um sultão tirano que governa com mão de ferro enquanto o povo passa por necessidades, o país tem pouco a oferecer às minorias. Mulheres são tratadas com desdém e tem poucos direitos, pertencem à suas famílias e maridos e pouco opinam sobre seus destinos. Pobres tentam sobreviver na sua miséria e órfãos são invisíveis para o poder público.

Amani é a três coisas (mulher, pobre e órfã) e sobrevive na Vila da Poeira sob a tutela do tio, que agora decidiu que vai torná-la uma de suas esposas: já que ele tem que sustentá-la, porque não aproveitar também? Ela não pretende se sujeitar a isso, mas não tem para onde ir e sabe que não é fácil fugir, ainda mais que sua aparência chama tanta a atenção, com sua pele escura e olhos azuis pouco característicos da população local.  Como é uma exímia atiradora, ela decide tentar conseguir algum dinheiro na competição de tiro local, mas precisa se disfarçar de menino já que a participação de mulheres é terminantemente proibida. Na competição, ela conhece Jin, um belo forasteiro que tem talento para arranjar confusão e juntos eles vão encarar uma fuga alucinante pelo deserto.

“Mas eu sabia que não voltaria. Tinha gasto quase dezessete anos planejando escapar. Com a minha mãe. E então sozinha. E agora finalmente tinha conseguido. Depois de todo aquele tempo economizando, lutando, e tentando agarrar o horizonte com as unhas, um louzi de cada vez, eu estava a caminho. O calor que sentia dentro de mim não era só bebida”.

Como eu disse lá no início, eu já comecei a leitura com expectativas muito altas e mesmo assim eu amei a leitura! Gente isso é tão raro de acontecer comigo, em geral, quando espero muito, acabo me decepcionando. Mas a leitura me prendeu do início ao fim, é tanta coisa acontecendo, tanta ação, que é impossível se entediar lendo.

Mas não é um livro perfeito, eu senti falta de mais descrições e informações sobre o mundo e a mitologia que a autora criou. Conforme acompanhamos Amani em suas aventuras, vamos descobrindo mais sobre o lugar onde ela vive, mas eu senti tudo meio jogado e algumas coisas eu penei para entender, especialmente em relação aos djinnis.

Os personagens são ótimos, especialmente Amani. Ela é uma lutadora nata, que corre atrás do que quer e que não perde tempo com remorsos. Inclusive, no desenrolar da história, ela tem algumas atitudes bem contestáveis, mas quando analisamos o meio em que ela vive e a maneira como cresceu, vemos que não poderia ser diferente. Jin também é um amor, todo misterioso (mistérios meio óbvios, é verdade, mas que não deixam de ser divertidos) e envolvente. Os dois têm muita química, mas para mim o romance foi mal desenvolvido e ficou em segundo plano; tirando uns beijos aleatórios, mal dá para dizer que existe um romance no livro. Mas o bom é saber que isso pode ser facilmente resolvido no segundo volume.

“E então veio aquele sorriso. Talvez eu tivesse olhos que me traíam, mas Jin com certeza tinha o tipo de sorriso capaz de converter impérios inteiros. O tipo de sorriso que me fazia sentir que o entendia direitinho, embora não soubesse nada sobre ele. O tipo de sorriso que me fazia sentir que éramos capazes de qualquer coisa juntos”.

Um livro muito bom, especialmente para o público jovem, ágil e muito envolvente, tem tudo para agradar quem gosta do estilo. Além disso, o enfoque que a autora dá ao preconceito contra mulheres e seres sobrenaturais é algo para nos levar a refletir sobre atitudes que, infelizmente, são tão comuns no nosso mundo.
Recomendo muito e já estou louca pela continuação.

Série A Rebelde do Deserto

  1. A Rebelde do Deserto
  2. A Traidora do Trono
  3. Sem título definido

A Autora


Alwyn Hamilton nasceu em Toronto, no Canadá, e já morou na França e na Itália. Estudou história da arte no King’s College, em Cambridge, e atualmente vive em Londres. Tem o péssimo hábito de comprar livros demais para alguém que está sempre mudando de casa.


Avaliação (4/5)






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