Lobo por Lobo - Ryan Graudin


GRAUDIN, Ryan. Lobo por Lobo. Tradução Guilherme Miranda. São Paulo: Editora Seguinte, 2016. 360 p. Título original: Wolf by wolf. Skoob.

Sinopse
“O Eixo ganhou a Segunda Guerra Mundial, e a Alemanha e o Japão estão no comando. Para comemorar a Grande Vitória, todo ano eles organizam o Tour do Eixo: uma corrida de motocicletas através das antigas Europa e Ásia. O vencedor, além de fama e dinheiro, ganha um encontro com o recluso Adolf Hitler durante o Baile da Vitória.
Yael é uma adolescente que fugiu de um campo de concentração, e os cinco lobos tatuados em seu braço são um lembrete das pessoas queridas que perdeu. Agora ela faz parte da resistência e tem uma missão: ganhar a corrida e matar Hitler. Mas será que Yael terá o sangue frio necessário para permanecer fiel à missão?”

Quem nunca se perguntou “e se”? E se eu tivesse feito isso ou aquilo? E se tivesse escolhido assim ou assado? O que estaria diferente? Esse é o mote de Lobo por Lobo, um mundo onde o maior “e se” da história se tornou realidade.

Imaginem se a Alemanha tivesse ganhado a Segunda Guerra e Hitler se transformasse no grande líder mundial. Pois é esse o cenário perverso que a autora nos apresenta: toda a Europa e norte da África pertencem à Alemanha e a Ásia ao Japão, que permaneceu aliado dos nazistas até o fim. Para comemorar a vitória na Guerra, Alemanha e Japão passam a organizar todos os anos o Tour do Eixo: uma corrida de moto que parte  de Berlim, cruza a Europa, passa pelo Egito, alguns países asiáticos, e termina em Tóquio. O objetivo é mostrar a dominação territorial e racial da raça ariana e no final da corrida é oferecido um baile que conta com a presença do imperador japonês e de ninguém menos que o próprio Hitler que, depois de sofrer inúmeras tentativas de assassinato, quase nunca aparece em público.

A Resistência, grupo de rebeldes que luta contra o nazismo vê no Baile da Vitória a chance de acabar com Hitler, pois é a melhor oportunidade para se aproximar dele. Mas como fazer isso sem levantar suspeitas? É aí que eles conhecem a jovem Yael e percebem que ela e seu estranho poder pode ser a solução do problema.

Yael é judia e foi levada para os campos de concentração junto com sua mãe quando ainda era uma criança. Lá ela conheceu o sofrimento de perto e viu todos aqueles que amava sucumbirem diante do horror nazista. Pior, ela chamou a atenção dos doutores da morte que usavam os prisioneiros do campo como cobaia em seus experimentos. Todos os dias, a menina era espetada por agulhas que lhe provocavam dores terríveis e acabaram gerando uma mutação em seu corpo. Agora, Yael é capaz de mudar sua aparência e ficar igual a qualquer pessoa que seja do mesmo sexo e tenha idade aproximada à sua. Por isso, ela consegue fugir e, após alguns anos, acaba fazendo parte da Resistência.

O Tour do Eixo não permite a participação de mulheres porque a disputa é uma espécie de Vale Tudo com Corrida Maluca e, quando as câmeras não estão filmando, os competidores fazem de tudo para vencer. Até que Adele Wolf, disfarçada de seu irmão gêmeo, participa da corrida e vence. Ela cai nas graças dos nazistas e durante o Baile tem a chance de dançar com o próprio Hitler. Um ano depois, os planos são bem simples: Yael deverá sequestrar Adele, tomar sua identidade, disputar e vencer a corrida, dançar com Hitler no baile e matá-lo quando todos estiverem assistindo o evento ao vivo pela televisão.

Eu sei que lendo assim pode parecer meio maluco ou fantasioso, mas o que mais me agradou neste livro foi a sensação de que todos os acontecimentos narrados poderiam ser mesmo reais. Imagino que se Hitler tivesse vencido, o mundo estariam exatamente com Ryan Graudin descreveu. Outro ponto que me agradou muito foi a complexidade dos personagens, que são muito bem desenvolvidos e com histórias muito marcantes, especialmente Yael. A garota passou por tanta coisa que chega a ser natural o seu desejo de vingança e a sua busca por si mesma. Ela já mudou tanto que já não se lembra mais da sua aparência, de como era seu rosto antes das experiências, e por isso ela teme perder também sua identidade. Nesse sentido, as tatuagens de lobo que ela tem e que ilustram a capa do livro são de extrema importância pois a ajudam a se lembrar de quem ela é e do seu passado.

Preciso dizer que foi uma leitura que se arrastou por dias. A narrativa é um pouco pesada, principalmente pelos sentimentos  e dores de Yael que permeiam toda a história e dos termos em alemão que volta e meia apareceram e atrapalharam um pouco minha compreensão. Mas isso não é um defeito, muito pelo contrário, pois, conforme a história avança a sensação de intimidade com Yael aumenta e vamos nos sentindo cada vez mais próximos da história.

O melhor de tudo é que a autora conseguiu combinar elementos históricos com fantasia e uma pitada de distopia e ainda assim ter uma ficção verossímil e um enredo inteligente. Um livro incrível, instigante e que merece ser lido pelo maior número de leitores.

A Autora

Ryan Graudin nasceu e cresceu em Charleston, Carolina do Sul. Em 2009, formou-se em escrita criativa pelo College of Charleston. Viajou para diversas partes do mundo - deu aulas de inglês na Coreia do Sul; viveu numa fazenda na Nova Zelândia; fez um mochilão pelo Peru. Também é autora da série All That Glows.


Avaliação (5/5)






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