Tash e Tolstói - Kathryn Ormsbee


ORMSBEE, Kathryn. Tash e Tolstói. Tradução Lígia Azevedo. São Paulo: Editora Seguinte, 2017. 376 p. Título original: Tash hearts Tolstoy. Skoob.

Sinopse
“Natasha Zelenka é apaixonada por filmes antigos, livros clássicos e pelo escritor russo Liev Tolstói. Tanto que Famílias Infelizes, a websérie que a garota produz no YouTube com Jack, sua melhor amiga, é uma adaptação moderna de Anna Kariênina. Quando o canal viraliza da noite para o dia, a súbita fama rende milhares de seguidores - e, para surpresa de todos, uma indicação à Tuba Dourada, o Oscar das webséries. Esse evento é a grande chance de Tash conhecer pessoalmente Thom, um youtuber de quem sempre foi a fim. Agora, só falta criar coragem para contar a ele que é uma assexual romântica - ou seja, ela se interessa romanticamente por garotos, mas não sente atração sexual por eles. O que Tash mais gostaria de saber é: o que Tolstói faria?”

Natasha Zelenka, ou Tash, tem 17 anos e leva uma vida absolutamente normal e anônima. Vai à escola, implica com a irmã mais velha, Klaudie, que está indo para Universidade com  qual ela sonha mas não sabe se conseguirá entrar. Sai com a melhor amiga Jack e o irmão mais velho dela Paul, e juntos eles têm um vínculo forte de amizade e cumplicidade. Tem pais bacanas, que são completamente diferentes um do outro mas que aprenderam a conviver  e a aceitar suas diferenças.

O que distingue Tash dos demais adolescentes é sua paixão por Tolstói, especialmente por Anna Kariênina. A admiração é tanta que, ao lado de Jack, ela escreve um roteiro adaptando a obra para os dias atuais e grava uma websérie no Youtube chamada Famílias Infelizes. As meninas trabalham duro na produção e direção da série ao lado de um grupo de atores iniciantes que tentam dar o seu melhor, mas as visualizações são poucas. Mas um dia, Taylor Mears, uma das youtubers mais respeitadas da atualidade, indica Famílias Infelizes como uma das melhores webseries amadoras que já viu, e o canal das meninas viraliza. Da noite para o dia, são mais de 50 mil seguidores e visualizações que não param de crescer. Junto com a fama instantânea, vem um indicação para o Tuba Dourada, uma espécie de Oscar das webseries. Mas como nem tudo são flores, junto com a fama chegam os haters e Tash simplesmente não sabe lidar com as críticas maldosas. E pior, ela começa a surtar com a pressão de produzir conteúdo de qualidade, não decepcionar os fãs e conseguir interagir com eles nas redes sociais.

Assim, entre problemas familiares e desentendimento com Jack, ela se prepara para ir ao evento e finalmente conhecer Thom Causer, um youtuber famosinho com quem ela tem trocado mensagens. O problema é que ele não tem a menor ideia de que Tash é assexual, ou seja, não sente interesse por sexo. Não é que ela não goste de meninos, ela sente interesse romântico por eles, só não desejo desejo por eles.

“Cheguei à seguinte conclusão: minha falta de desejo não se deve à falta de esforço. Tentei mais que o suficiente sozinha. Não odeio o sentimento. É bom, até satisfatório, chegar a esse ponto de libertação. Mas não é como eu deveria me sentir. Não de acordo com todos os filmes e os programas de TV que já vi, não de acordo com o que dizem na escola ou com minhas conversas com Jack. Eu deveria sentir mais. Deveria querer como eles querem. Ou isso, ou todo mundo à minha volta está fingindo. Às vezes gostaria que estivessem. Seria uma desilusão, mas pelo menos eu não ia me sentir a mais estranha das pessoas,” (p.270)

Eu já imaginava que iria gostar desse livro, só não imaginava que seria tanto! A leitura é deliciosamente envolvente, me apeguei tanto aos personagens que logo me vi com pena de terminar o livro. A autora conseguiu apresentar todos os dramas que Tash vive nesse verão de uma maneira leve e até divertida, mas sem menosprezar seus problemas - que não são poucos! Mas o que eu mais amei foi o crescimento da garota na história, no começo ela tomou atitudes muito exageradas e egoístas como se fossem naturais e isso me incomodou bastante, mas logo Tash percebe seu erro e corre atrás do prejuízo sem vergonha de pedir desculpas.

Os personagens secundários também são muito bons e bem desenvolvidos, todos eles tem seu drama pessoal, mesmo que bem leve, o que acrescenta um pouco de suas personalidades à história. A mãe que sente sente saudades da família na Nova Zelândia; Jack que, por medo de se magoar, não se permite demonstrar emoções; Klaudie enfrentando a pressão de ter que ser sempre a melhor e não decepcionar os pais. Mas quem rouba a cena é Paul, com sua paixão latente por uma certa pessoa.

A autora tratou da sexualidade dos personagens de uma maneira muito peculiar, tanto com Tash quanto com Tony e Jay, dois meninos que assumem um namoro. Ela foi muito leve e não aprofundou muito as discussões, e isso me dividiu um pouco. Se por um lado isso trouxe muito naturalidade contribuindo para que os jovens leitores desenvolvam um olhar livre de preconceitos, por outro, ela perdeu uma oportunidade de ouro de informar e levar o leitor à reflexão sobre diversidade sexual - especialmente sobre a assexualidade, que eu conhecia bem pouco e acabei pesquisando sobre por causa do livro.

E por fim, só tenho a parabenizar a Editora Seguinte por trazer representatividade à jovens que se sentem excluídos: obesos e com doenças pouco conhecidas (Juntando os Pedaços) transsexuais (Fera). E Tash e Tolstói é só mais um exemplo do quanto somos diversos e do quão pouco sabemos um do outro, já que os assexuais são praticamente invisíveis e pouco se fala sobre ele. E só isso já faz desse um livro incrível, não só por ser uma história cativante e divertida, mas por ser a primeira ficção jovem adulta sobre assexualidade publicada no Brasil.

A Autora

Kathryn Ormsbee gosta de roupas dos anos 60, músicas dos anos 70 e filmes dos anos 80, mas nasceu nos anos 90. Natural do Kentucky, nos Estados Unidos, já morou na Espanha e na Inglaterra e foi professora de inglês. Hoje vive na cidade de Nashville e, além de se dedicar à escrita, também dá aulas de piano.

Avaliação (4/5)






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2 comentários :

  1. Olá!
    Também sou apaixonada por Tolstoi e especialmente A.Karenina,.
    Amei a premissa deste livro principalmente por abordar a sexualidade de todas as formas. Anotado.
    Bjs

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  2. Oi Nina, sua linda, tudo bem?
    Concordo que são poucos os que abordam esse tema. Acho que a diversidade deve ser sempre respeitada. Temos que mudar a educação da sociedade para quem sabe termos algum resultado na geração futura. Não conhecia o livro, mas vou colocar na lista. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.

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