O Livro do Juízo Final - Connie Willis


WILLIS, Connie. O Livro do Juízo Final. Tradução Braulio Tavares. São Paulo: Editora Suma de Letras, 2017. 576 p. (Oxford Time Travel v.1). Título original: Doomsday book. Skoob. Comprar.

Sinopse
Em meados do século XXI, a jovem estudante Kivrin Engle se prepara para viajar no tempo. Ela pretende fazer um estudo de campo sobre uma das épocas mais sombrias da história da humanidade: a Idade Média. Em um primeiro momento, tudo parece ter corrido bem com a empreitada, e ela finalmente está no século XIV. O que Kivrin não sabe é que o técnico responsável pelo seu salto temporal, de volta para 2054, está terrivelmente doente. Seu retorno pode estar comprometido, e isso pode afetar todos os habitantes do Reino Unido. De 1300 a 2050, Connie Willis faz um trabalho magnífico na construção de personagens complexos, densos e pelos quais é impossível não sentir empatia. O livro do juízo final é ao mesmo tempo uma incrível reconstrução histórica e uma aula sobre o poder da amizade.

Quando vi a capa desse livro na lista de pedidos da Companhia das Letras e li a sinopse, pensei: “tenho que ler esse livro, ele é lindo e é sci-fi, um tema que vem me conquistando cada vez mais!”... então me joguei. Para quem não sabe o que é Sci-fi, ou Ficção Científica, é um gênero literário que trata, entre tantas outras coisas, de viagens no tempo ou entre dimensões no seu enredo e, em O livro do Juízo Final, vamos fazer um belo passeio pela Idade Média, a época negra da história da humanidade.

Kivrin é uma jovem estudiosa que pretende subir na sua carreira de historiadora do século XXI. Ela vive em uma época onde viagens no tempo são possíveis e comuns e grandes historiadores as fazem para validar as informações do passado. Seu grande sonho é poder voltar para a Idade Média, uma das épocas mais perigosas do mundo e fazer um estudo de campo sobre sua história e seus costumes, e para isso ela vem se dedicando imensamente, estudando muito sobre a época para que seu salto seja perfeito e ela consiga arrecadar o máximo de informação possível.

Mas ainda que este seja seu sonho, seu tutor Prof. Dunwhorty não está seguro de que esse salto seja recomendado, a Idade Média é uma época muito perigosa e muita coisa pode acontecer. Mesmo assim, Kivrin faz a viagem, e é quando ela passa para o lado de lá que as coisas se complicam. Badri, o responsável por coordenar a viagem e trazer nossa protagonista de volta, cai de cama com uma doença grave, e, com a cidade em quarentena graças a esse vírus, não há outro técnico para administrar a viagem e Kivrin fica presa no passado correndo o risco de não voltar.

Não só Badri ficou doente, como também Kivrin acaba chegando no passado muito doente, ela é acolhida por uma família e tratada, mas apesar disso seu tradutor não está funcionando e ela não consegue se comunicar com os moradores do vilarejo. Kivrin começa a correr contra o tempo, ela tem duas semanas para chegar ao local do salto e voltar para o seu tempo. Em Oxford no futuro, o professor Prof Dunworthy e a Dra Mary lutam para descobrir a origem do vírus que derrubou boa parte da cidade para poder trazer Kivrin de volta em segurança.

O livro é narrado em primeira pessoa se revezando entre o prof Prof Dunworthy e Kivrin, narrando os acontecimentos do passado e do futuro, numa mescla de adrenalina e ação. Por ser um livro com temática futurística, normalmente esse gênero tem muitos termos complicados para nós leitores, mas na maioria das vezes ainda sim flui, só que esse acabou sendo bem complexo, e confesso que no início a leitura ficou bem arrastada e cansativa, mas enfim ele pegou embalo e consegui me achar.

As narrativas do presente são bem confusas, e por muitas vezes tive vontade de pular, em contrapartida as narrativas de Krivin são recheadas de sentimento e conhecimento. Com uma narrativa rica em detalhes a autora nos apresenta fatos e acontecimentos históricos da época da Peste Negra. Kivrin começa a se apegar àqueles que lhe estenderam a mão, e ao mesmo tempo que a protagonista vai se apegando o sentimento com o leitor é recíproco, sendo assim, quando a aldeia é alcançada pela doença, a impotência de Kivrin dói no coração de quem está lendo.

Durante todo o enredo é notável a dedicação e o estudo feito pela autora, para os apreciadores de livros que nos remetem ao passado essa é uma ótima leitura. E se já não bastasse tudo isso, por trás do enredo ainda são feitos debates pesados sobre religião e amizade, sentimentos que permeiam os séculos e confundem a cabeça dos homens desde os tempos mais remotos.

A edição da Suma é perfeita! O livro foi muito bem produzido, e mesmo com uma quantidade grande de páginas a capa dura em nada atrapalha o leitor, já que ele permite ser totalmente aberto sem estragar o exemplar. A diagramação e revisão da obra também estão impecáveis tornando a leitura agradável e confortável.

Se você curte livros com contextos históricos bem narrados e descritos, leia O livro do juízo final e se deixe levar nessa viagem ao passado cheia de amizade, amor e esperança. Uma leitura densa, e até complexa, mas super indicada.

A Autora


Connie Willis faz parte do panteão de grandes autores de ficção científica e fantasia, e já recebeu sete prêmios Nebula e onze prêmios Hugo, os mais importantes do gênero. Seus trabalhos mais conhecidos se passam no mundo dos historiadores de Oxford — O livro do juízo final é o primeiro deles, seguido por To Say Nothing of the Dog e Blackout / All Clear. Atualmente ela vive no Colorado com a família.

Avaliação (4/5)




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6 comentários:

  1. Oi tudo bem?
    Diferente de você eu não sou muito fã de ficção cientifica o que já não me desperta tanta a atenção mas principalmente ao saber que o livro é um tanto confuso.

    Beijos

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  2. Olá adorei a resenha vou adicionar esse livro as próximas leituras
    https://florescendolivros.blogspot.com.br

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  3. Pela capa eu não daria atenção para esse livro, mas amo histórias que tratam de viagem no tempo e acho que vou curtir muito a leitura.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  4. Olá, tudo bem?

    A história é bem interessante. Mas dessa vez, dispenso a dica. Não consigo ler esse tipo de livro, não é meu gênero favorito e não é o gênero que daria uma chance. hahah

    Beijos

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  5. Oi,
    Eu também gosto muito do gênero sci-fi. Eu não conhecia o livro e lendo a sua resenha fiquei com muita vontade de ler o livro. Com certeza uma ótima dica de leitura.
    Abrçs

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  6. Não conhecia esse livro, mas lendo sua resenha bem escrita e argumentada consegui ter uma noção do que esperar dele. Parabéns pela leitura e pela indicação. A tematica me pareceu bem interessante e empolgante; mas que pena que alguns pontos da narrativa atrapalham um pouco o fluxo da leitura e o envolvimento do leitor. Enfim foi muito positivo conferir suas impressões. Beijos

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